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Mas isto não está na minha descrição de cargo!

Publicado em 23/07/2008 por bruno




Dias atrás enviei um e-mail bem humorado a um sócio dizendo o seguinte: Como você é dono de x% do negócio, preciso que realize X% deste trabalho, ok?

Ele me respondeu, também em tom de bom humor, com a sentença que é o título deste post.

Neste caso não há problema porque eu e meu sócio sabemos muito bem a parte que cabe a cada um no negócio, e temos a flexibilidade de nos adaptar a eventuais mudanças que possam ocorrer. Mas verdade seja dita, quantas vezes não ouvimos isto por aí nas empresas?

Às vezes a sentença vem de outras formas, como: __ Eu não ganho pra isto! __ Não fui contratado para este serviço e etc…

Longe de minha pessoa querer que você faça algum serviço para o qual não é pago ou que não foi devidamente explicado e acordado, apenas quero convidá-lo a pensar comigo sobre o que os tempos modernos tem feito com este aspecto da relação de trabalho.

A chamada “descrição de cargo” é um instrumento gerencial que foi criado para “tentar” deixar bem claro a cada pessoa o que deve ser feito. Como ferramenta tem lá seus benefícios, mas nunca foi uma “maravilha suprema”; hoje então, já há quem diga que ela não serve para muita coisa, além de atrapalhar.

O fato é que a descrição de cargo é um instrumento útil sim, mas foi criado a partir de uma lógica mecânica e relativamente estável de atuação, que simplesmente não dá conta da imprevisibilidade e mudança do mundo atual.

Existem autores modernos que trabalham com o que se chama de “espaço ocupacional” tentando encontrar um conceito de que dê conta da realidade contemporânea. Há muita pesquisa a ser feita e ao que parece o trabalho está longe de acabar.

Mas como ficam então os pobres mortais que são contratados para fazer X e acabam descobrindo que o Y e o W entram no meio da atuação?

Resposta simples: Aprenda o alfabeto; pelo menos a parte dele que “circunda” o seu X. A questão aqui é bom senso, tanto da parte da empresa quanto do profissional.

É preciso perceber que é impossível uma descrição de cargo dar conta da realidade mutante de hoje, e sabermos negociar os limites de nossa atuação, que se tornam cada dia mais nebulosos e menos exatos.

Não se contrata alguém para realizar o que está na descrição de cargo; contrata-se alguém para “entregar resultados”, e a descrição de cargo que seja modificada caso preciso, para que isto aconteça.

Tudo bem que é mais fácil falar do que vivenciar a experiência de ser “cobrado” por aquilo que não está no contrato, mas entenda, no mundo de hoje as coisas mudam da noite para o dia, e é prudente estar aberto a negociações.

O importante é achar um ponto de equilíbrio saudável entre aquilo que você foi contratado para fazer “no mês passado” e aquilo que precisa ser feito “agora”. Sem permitir abusos da empresa, mas com a flexibilidade que os tempos modernos pedem.

O que você acha?

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