Quem “precisa” de quem mesmo?
Publicado em 24/09/2008 por bruno
A ordem tradicional e centenária do capitalismo sempre deixou claro uma coisa, mesmo que, às vezes, disfarçadamente: Manda quem pode (quem é empregador) e obedece quem tem juízo (quem é empregado).
Assim tem sido o mundo há muito tempo, e assim é o comportamento de muitos empresários, gestores e “empregadores”. Ainda existe neles a noção claríssima de que as pessoas precisam da empresa, mais do que a empresa precisa das pessoas.
Será mesmo?
É óbvio que mesmo hoje os “donos dos meios de produção” (ou prestação de serviços), ainda encontram-se econômica e, porque não dizer, socialmente acima daqueles que não são donos de nada além de suas próprias cabeças; estes são os que vendem sua “força de trabalho”.
No entanto, podemos observar de forma muito clara hoje a balança começando a pender para o lado do “mais fraco”! Por quê? Por um motivo simples: tem muito produto, serviço e tecnologia parecida no mercado, e cada vez mais a decisão de consumo de um cliente, ou a performance de uma empresa, depende menos de seu “dinheiro” e mais do comportamento de suas “pessoas”.
Logicamente o dinheiro é muito importante, pois sem ele não se compram móveis, computadores, softwares, e também fica mais difícil de se fazer marketing ou conseguir infra-estrutura. Só que agora não é isto que faz a diferença fundamental, e sim GENTE.
Em um tempo no qual a concorrência é absurda e a opção dos consumidores é quase infinita, o que vai definir a capacidade de competição de uma empresa são as pessoas que estão lá, o famigerado capital humano, que para alguns não passa de “conversa de RH”.
Escrevo este post inspirado em uma situação que presenciei há poucos dias, na qual um empresário de muito sucesso disse a seguinte frase após uma questão melindrosa com um empregado valioso: __ “Bem, se quiser, ele é que se adapte ao funcionamento da empresa!”
Resultado? A pessoa optou por deixar a empresa; quando uma simples negociação poderia ter resolvido o caso.
Ok, mas esta pessoa pode ser substituída? Claro que sim. Vai ser simples? Claro que não! Vai ficar barato? … Precisa responder?
Enfim, o resumo do que quero expressar aqui é: O eixo de poder dentro das organizações atuais, em especial daquelas que prestam serviços, está se deslocando. Vale menos o dinheiro, a posição hierárquica, a tradição, e valem mais as pessoas que se comportam de forma a gerar resultados.
As pessoas que são boas como profissionais, que são competentes, que tem conhecimentos, que usam suas habilidades e tomam atitudes, passam a ser o principal diferencial, e isto meus caros, aumenta enormemente o poder de barganha destas pessoas.
O famoso “se não quer assim, vá embora”, ainda impera, mas vêm deixando mais e mais empregadores na mão; porquê o sujeito vai mesmo, consciente que é de seu valor! Tenho observado que a tendência das empresas e empregadores que ainda pensam: “eles que se adaptem a nós”, é ficar sem pessoas de valor, pois estas dizem: “nada disso, vamos negociar e a adaptação é mútua”.
Enquanto as empresas não entenderem isto a rotatividade crescerá de forma constante , e o que é pior, haverá sempre a evasão de profissionais com competência. Aí é que eu pergunto de novo:
Quem precisa de quem mesmo? Hum?
Assine nosso RSS Subscribe to our feed

Psicólogo e Consultor 

OPORTUNO ESSE ASSUNTO… PORÉM TENHO A ACRESCENTAR QUE , NA MINHA OPINIÃO, A “NECESSIDADE” É MÚTUA, POR QUE SE NÃO HÁ EMPRESA/PATRÃO, NÃO HÁ EMPREGADO/TRABALHO/SALÁRIO, NÃO HÁ COMÉRCIO/INDÚSTRIA/TRANSPORTE E POR AÍ VAI.
É CLARO QUE O OBJETIVO DEVE SER A JUSTIÇA E A MÁXIMA IGUALDADE DE DIREITOS POSSÍVEL, PORÉM DE DEVERES TAMBÉM , POIS VEJO HOJE, COMO GESTORA DE RH , TOTAL DESCOMPROMISSO COM A EMPRESA , COM O COLETIVO, HAJA VISTO A FACILIDADE COM QUE SE ADQUIRI ATESTADOS MÉDICOS PARA QUE SE ABONE UMA FALTA , MUITAS VEZES, POR MOTIVOS CORRIQUEIROS, DESNECESSÁRIOS.
NÃO SOU DONA DA VERDADE, NÃO SEI QUAL SERIA A SOLUÇÃO, MAS ACHO QUE DEVEMOS PENSAR NISSO TAMBÉM, E NÃO SÓ CONTINUAR LENDO LIVROS, TEORIAS… A PRÁTICA, A VIVÊNCIA, O DIA DIA VEM NOS DIZER MUITAS COISAS , QUE MUITAS VEZES PASSA DESPERCEBIDO ENTRE AS LINHAS DA TEORIA.
A Mirian Batista até que tem sua razões, entretanto o que podemos observar é que últimamente é o desrespeito com que muitas empresas tratam o patrimonio mais importante e porque não dizer um dos pilares da empresa, que são os própios funcionários, oque enseja certas atitudes de alguns maus funcionários. Con tudo não podemos generalizar e colocar todos numa vala comum. O entendimento tem que ser mútuo, afina a interdependencia é geral.
Agrdeço os comentários e devo dizer que concordo tanto com a Mírian como com o Carlos. Quando tratamos com pessoas é muito difícil se chegar a uma opinião universal. Cada empresa é uma, assim como cada colaborador.
A questão não é quem é bom ou mal, certo ou errado, e sim a de tentarmos, sempre que possivel, usar o bom senso em nossa relações de trabalhgo, já que o mundo caminha cada vez mais para a necessidade de comunicação e entendimento mútuo entre pessoas e organizações.