Em dois posts publicados anteriormente, um chamado “competindo operacionalmente” e o outro “competindo estrategicamente” dei exemplos de como estas duas formas de competir são intrínsecas à própria natureza da vida, descrevendo comportamentos do mundo animal que evidenciam claramente cada forma de busca pela sobrevivência e, por que não, pela vitória.
Mas, o que exatamente estas duas analogias tem a ver com você?
Absolutamente tudo! Afinal, como é que você vai competir? Através do uso de estratégias ou de foco em efetividade operacional? Aceita uma sugestão? Das duas maneiras! Porque é exatamente o que as empresas têm feito.
Se você procurar na literatura sobre administração irá perceber que desde que surgiram as empresas modernas tem se revezado entre focar sua atuação mais em estratégia ou mais em efetividade operacional, dependendo do contexto econômico.
Isso até algum tempo atrás, porque a concorrência global de agora tem forçado as organizações (e as pessoas) praticamente a “assobiar e chupar cana” ao mesmo tempo.
Não dá para ou fazer melhor, ou fazer diferente, é preciso fazer melhor “e” diferente. Assim são as empresas mais competitivas, e assim são os melhores profissionais.
Note que estratégia tem a ver com observar e escolher. É olhar para o ambiente e procurar as oportunidades de acontecer de forma criativa e inteligente.
E a efetividade operacional tem a ver com organizar-se e aperfeiçoar-se. É olhar para dentro e descobrir o que pode ser aprimorado nos processos que você desempenha, mesmo que sejam iguaizinhos aos dos concorrentes.
São duas formas diferentes de se competir, mas complementares. E não é questão de qual das duas é melhor, as duas são necessárias!
Ser operacionalmente efetivo pode significar fazer o que geralmente se faz em sua área de atuação (ou fazer a mesma coisa que seu colega de trabalho), porém, com mais qualidade, mais organização e menos custo do que os outros.
Ser estratégico significa tentar sempre estudar o ambiente e fazer planos inteligentes para vencer, criar a maneira mais inteligente de chegar a um resultado. Poder ser uma inovação ou aproveitar alguma oportunidade que “a maioria não vê.
O futebol, que é uma forma de competição altamente valorizada em nosso país, nos dá facilmente um exemplo destas duas maneiras de se atuar.
Há jogadores que tem excelente forma física, executam muito bem seus passes, sabem chutar com precisão e estão sempre bem posicionados, mas que não costumam ser muito criativos em suas jogadas. Estes são operacionalmente efetivos!
Por outro lado, há aqueles que apesar de não correr tanto, errar alguns passes, atrasarem para chegar até a bola e nem sempre chutarem certeiro, têm uma “visão de jogo” que os permite criar lances inesperados e quase geniais. Estes são estratégicos!
E claro, além destes, há os que fazem as duas coisas ao mesmo tempo.
Que tipo você acha que está na seleção? Hum?
Até mais!



August 17th, 2009 at 4:08 pm
Bruno, não acho que seja questão de foco em estratégia ou em efetividade operacional. Acho que é uma relação de total dependência, já que uma estratégia bem formulada, que orienta o melhor caminho, tem como um dos objetivos direcionar o que é a efetividade operacional de uma organização, que significa conhecer suas competências essenciais (e se diferenciar através delas, claro), tomando decisões táticas e operacionais de como melhorar/adaptar sua operação para que ela se torne eficiente e eficaz.
E ainda, quanto efetividade operacional: “descobrir o que pode ser aprimorado nos processos que você desempenha, mesmo que sejam iguaiszinhos aos dos concorrentes” for o resultado de uma visão estratégica, significa que a empresa não está se diferenciando, e pra mim, estratégia sem diferenciação é uma estratégia sem competitividade, e se a estratégia não é competitiva, ela não serve para nada.
Enfim, minha opinião é que não se tem efetividade operacional, se não existir uma estratégia que dite o que é sucesso para a empresa, se não se sabe qual o resultado perseguido, como a empresa vai “descobrir” o que precisa “aprimorar”?!!
August 17th, 2009 at 8:27 pm
Oi Joyce, em primeiro lugar obrigado pela interessante observação.
No fundo creio que ambos concordamos. Existe sim um conceito de “efetividade operacional” e um de “estratégia” que teoricamente fazem sentido, mas na prática a vida concordo com você, é impossível competir apenas “operacionalmente”, ou bolar uma estratégia e não saber “executá-la de forma operacional”. A questão é que a única forma de competir de verdade é unindo os dois conceitos, como fazem os melhores, no esporte, nas artes, e claro, nos negócios!