Esta semana, através da indicação de uma headhunter da qual sou cliente, tive o privilégio de ser entrevistado por um grande jornal mineiro a respeito do tema “carreira e oportunidades no mercado atual”.
Foi uma entrevista bem curta, mas confesso que responder às indagações da jornalista me fez refletir novamente sobre tudo o que fiz até hoje para chegar aonde cheguei. Tudo bem que ainda não cheguei longe; estou apenas no início da caminhada, mas, segundo meus critérios, venho evoluindo de modo até satisfatório.
Aos 24 anos criei o conceito de minha primeira empresa de treinamento e tive alguns clientes pequenos (que foram imprescindíveis), aos 27 pude atuar como consultor em treinamento para algumas empresas de grande porte e hoje- aos 30-, tenho a oportunidade de trabalhar como executivo em uma multinacional, na qual posso vivenciar um ambiente dinâmico, inteligente e multicultural, além de ser responsável por ajudar a gerenciar os recursos mais importantes da companhia: As pessoas!
Não estou citando isto aqui para dizer que me acho “cool”, e sim para compartilhar com você aspectos de minha experiência que talvez possam ser úteis à sua vida profissional. De fato, se eu ouso escrever um blog destes tenho que, no mínimo, ter algum conhecimento de causa e uma pequena história de vida que confira credibilidade ao que digo.
Por incrível que pareça, o que me ajudou a entrar em uma grande empresa, e o que me ajuda a sobreviver nela (parte mais difícil!), tem muito mais a ver com “as perguntas que faço” do que com “as respostas que já tenho”; e as habilidades das quais preciso diariamente são muito mais relacionadas a mim como “ser humano” do que necessariamente ao conhecimento técnico que detenho.
Eu tive uma professora de psicologia que dizia às vezes: “A teoria só é mesmo útil quando você não precisa mais dela”. É uma afirmação meio confusa, mas que serve para ilustrar que, entrar na vida profissional e sobreviver, é um processo de aprendizagem comportamental praticamente do zero; embora você precise ter uma base teórica.
Passei um tempo razoável de vida estudando gerenciamento de projetos para ver na prática que cada empresa tem sua forma de gerenciar os projetos, e que é praticamente impossível que um projeto funcione 100% como está nos livros. Da mesma forma, os livros sobre RH que devorei incessantemente, embora me sejam muito úteis para ter uma grande compreensão conceitual da área, pouco refletem a realidade do dia a dia que vivo.
A razão é: A vida nem sempre funciona como está nos livros!
Cada empresa tem seu jeito, suas urgências, seus processos, sua cultura e sua “cara”, seu “jeito de ser”, e a maioria delas recorta “pedaços” das grandes teorias de gestão que existem por aí parar criar sua maneira bastante particular de funcionar.
Eu até hoje tenho sobrevivido e conseguido aos poucos galgar alguns degraus, única e exclusivamente por adotar uma postura que pode parecer antagônica: Estudar muito e me convencer todo dia de que não sei quase nada!
Só que tem mais, parei de estudar só os livros e comecei a estudar a realidade à minha volta. Meus superiores, colegas, decisões tomadas na empresa, atitudes adequadas e inadequadas que presencio no dia a dia, tudo isto tem sido fonte incessante de crescimento e amadurecimento.
De tudo, o mais complicado foi compreender que muitas vezes não se pode fazer a prática caber na teoria, e aceitar que na vida profissional algumas coisas vão passar longe do que os livros dizem, e que muitas vezes, por força das contingências, é assim… Simplesmente.
Por fim quero dizer que, embora este post talvez esteja um bocado vago e auto-reflexivo, a mensagem a compartilhar aqui é a de que apenas o questionamento constante e a abertura ao novo podem ajudar na sobrevivência profissional de qualquer um, por mais exímio que seja tecnicamente (e teoricamente).
Sem dúvida nenhuma, muito mais importante que as TODAS as respostas que você já tem, são as perguntas que você faz; a cada dia, a cada situação, sem cessar…
Até a próxima.



September 22nd, 2009 at 7:04 pm
Entre outras coisas em mim fica, ” Sem dúvida nenhuma, muito mais importante que TODAS as respostas que você já tem, são as perguntas que você faz, a cada dia, a cada situação, sem cessar… “, muito profundo é, na humildade do amigo, do Sr., o sentimento por si expressado, que li, que reli, que vou continuar a lêr, que já cresci, cresci num texto, numa coisa que para si lhe parece pequena…
September 24th, 2009 at 9:01 am
É assim, mesmo!,gostei!saber muito e se convencer a cada dia de que não sabe nada e começar novamente! muito bom!.
September 24th, 2009 at 10:53 am
Excelente! Com certeza há inspiração e fonte para crescimento pessoal. E tenho comigo o mesmo conceito que você, e digo mais: “O incessante questionamento é a base da inteligência, pois com suas perguntas você adiquire mais conhecimento.”
Saudações…
October 8th, 2009 at 1:50 pm
Parabéns pelo seu texto!! Você escreve muito bem e nos dá a oportunidade de reflexir sobre fatos cotidianos do mundo corporativo. É essencial “calçar as sandálias da humildade”, pois desta forma, estaremos sempre abertos ao novo e descobriremos que a vida e as pessoas tem muito a nos ensinar …