Há poucos dias reencontrei uma professora da faculdade e falamos um bocado sobre meus tempos de estudante e sobre como estavam evoluindo os métodos de ensino no curso.
Segundo ela a tendência há um bom tempo é a de buscar uma participação mais ativa, mais “protagonista” dos alunos frente ao conhecimento; tafera que, segundo ela, mostrava-se extremamente complicada mediante a postura da maioria.
Apenas para ilustar, leia o trecho abaixo, retirado de um artigo de Stephen Kanitz, sobre a primeira aula de seu mestrado, em Harvard:
“O primeiro caso a ser resolvido naquela noite era de marketing, em que a empresa gastava boas somas em propaganda, mas as vendas caíam ano após ano”. Havia comentários detalhados de cada diretor da companhia, um culpando o outro, e o caso terminava com uma análise do presidente sobre a situação.
O caso terminava ali, e ponto final! Foi quando percebi que estava faltando algo. Algo que nunca tinha me ocorrido nos dezoito anos de estudos no Brasil. Não havia nenhuma pergunta do professor a responder! Um exercício sem perguntas! O que nós teríamos de fazer com aquele amontoado de palavras? Eu, como meus outros colegas brasileiros, esperava perguntas do tipo “Deve o presidente mudar de agência de propaganda ou demitir seu diretor de marketing?”. Afinal, estávamos todos acostumados com testes de vestibular e perguntas do tipo: Quem descobriu o Brasil?”“.
Segundo o próprio Kanitz, não levou mais que alguns segundos para que ele percebesse a coisa: O “professor” esperava pelas perguntas.
Vou repetir: O professor queria que “ele” fizesse as perguntas. Deu aos alunos algumas informações com o intuito de que refletissem a respeito, e esperava que eles questionassem e dessem opiniões a fim de discutirem – juntos - as possíveis soluções para o impasse proposto. Pois feliz da vida voltou Kanitz para o Brasil e dias depois, em suas turmas de universitários por aqui, resolveu aplicar a interessante abordagem que conhecera em Harvard. Para seu espanto (ou não), a reação foi das piores possíveis. Os alunos simplesmente não entendiam como é que um exercício podia “não vir com as perguntas”. “Ora – diziam – se não há perguntas, como podemos responder ao exercício?”.
Convenhamos que formular perguntas inteligentes exige muito mais esforço, entendimento e vontade do que simplesmente respondê-las. No entanto, e infelizmente, a maioria de nós não foi preparada para fazer perguntas, e sim para dar respostas passivas que, diga-se de passagem, não costumam ser nossas, mas dos livros.
Enquanto nossos estudantes continuarem a pensar que “alguém” constrói o conhecimento, e que o papel deles é apenas apreender isto, dificilmente teremos profissionais preparados para atuar com eficácia nos novos tempos. Mais que ouvir e reproduzir, é preciso criar e recriar, relacionando-se de forma crítica com o conhecimento proposto.
Somente desta forma poderemos esperar para o futuro próximo uma nação de pessoas que realmente pensam criticamente e escolhem com seriedade e inteligência os rumos de suas carreiras, de suas vidas, e de seu país!




December 14th, 2010 at 2:17 pm
Realmente é essa a verdade no Brasil …