Você não é (ou não deveria ser) o seu trabalho!!!

Publicado em 05/06/2012 por Bruno Soalheiro



                                                                                                     

 Hoje durante o almoço estava assistindo a um quadro jornalístico no qual um psicólogo falava sobre Auto-Conceito e Auto- Estima. Ele explicava que Auto- Conceito é o que você “pensa” de você mesmo, e auto-estima é o que você “sente” a seu respeito.

Desta forma, segundo ele, é totalmente possível uma pessoa ser “cognitivamente consciente” de suas qualidades (ser bonita, inteligente, capaz) e ainda assim ter uma auto-estima frágil, “sentindo-se” inferior a outras.

Enfim, o assunto é complexo e somente o citei aqui para pontuar o seguinte: muitas vezes nós temos muito pouco controle ou mesmo consciência sobre o que nos afeta!

Colocando esta lógica em nossa relação com o trabalho, quero chamar atenção para um fato curioso, através de uma pergunta:.

Você TEM um trabalho ou você É o seu trabalho?

Muita gente, embora cognitivamente diga que tem um trabalho, acaba se comportando emocionalmente como se o trabalho praticamente “definisse” sua existência.

Tudo bem que se formos computar matematicamente, a maior parte de nossas vidas nós passamos mesmo no trabalho (ao menos a maioria de nós). Isto não significa que o sentido de nossa vida, ou que aquilo que nos alegra ou entristeça, deva necessariamente ser este trabalho.

O que acontece quando não criamos esta separação, é que passamos a absorver totalmente todas as emoções, sejam elas boas ou ruins, às quais o trabalho nos remete. Daí ver tanta gente infeliz, nervosa, insatisfeita, estressada, por incapacidade de “separar” os problemas do trabalho do que realmente é a sua “essência”!

É claro que o trabalho irá sempre nos afetar, não ha como deixar a alma na porta do escritório e depois pegá-la ao final do expediente. Como pessoas, somos seres complexos, e nossa totalidade é constituída a partir do conjunto daquilo que vivemos, que experimentamos. Mas isto não significa que não possamos colocar limites e separações saudáveis para nosso bem estar e daqueles que nos rodeiam.

Dificilmente se encontra por aí pessoas totalmente, ou até mesmo muito satisfeitas com o trabalho. Elas existem, mas não são a maioria. O que algumas pessoas não lembram, no entanto é que, mesmo não estando satisfeitas no trabalho, podem sim estar satisfeitas em outras áreas de sua vida, e se apegar a isto como base de sua saúde emocional e mental.

Diferenciar você do seu trabalho é algo que pode começar com a simples constatação: Meu trabalho é algo que eu tenho, é algo que eu faço, NÃO É algo que eu sou. Você é mais do que seu trabalho! Se você acha que não é, algo está provavelmente errado.

Na verdade o que acontece é que a geração que nasceu a partir dos anos 70 encontrou um universo profissional no qual o tal do sucesso é perseguido como a nova maravilha do mundo. Todo mundo quer ser bem sucedido, quer ser orientado para resultados, que ser empreendedor, quer realizar, chegar ao topo, etc.. etc.. OK! É bacana, é legal esta história toda que toma conta do planeta e vende milhares de livros. Eu mesmo escrevi um para recém graduandos!

 É positivo sim, mas CALMA LÁ!. Isto não é você! E você não deveria condicionar todo o seu bem-estar ao fato de conseguir ou não ser um sucesso profissional, muito menos deixar que seu ambiente de trabalho determine totalmente a qualidade de suas emoções.

O trabalho é sim importante, nos faz crescer, paga nossas contas, nos trás conforto e muitas vezes prazer, mas não esqueça de olhar para fora, de se alegrar, de assentar as bases de sua felicidade em você e naqueles a quem você ama.

Tenha um hobby, faça coisas divertidas que não tenham nada a ver com seu trabalho ou mesmo com sua turma de trabalho, toque um instrumento, pratique um esporte,  plante uma horta que seja, determine para si passeios semanais em lugares bacanas, enfim, tenha uma vida fora do seu trabalho!!!

Trabalho não é tudo na vida, e não deveria ser a única, nem mesmo a principal referência para definir se você é uma pessoa feliz ou não!

Enfim esta é a minha opinião, claro! Qual é a sua?



4 Comments For This Post

  1. Gustavo Says:

    Muito bom o texto e, partilho da mesma opinião que você.
    Trabalho sem lazer = sufoco.

  2. Gabriel Says:

    Eu discordo de voce no sentido que as pessoas devem criar uma ‘separação’ como se fosse duas personalidades, ser frio e sem emoção, e após o trabalho ter um comportamento contrário..

    isso é impossível.. não é vida… viver é passar por experiencias.. de forma única e principalmente poder dizer o que pensa e agir da forma como pensa… se ninguem dizer o que pensa.. o mundo pára.. e não muda mais..

    pessoas que não estão bem no trabalho é porque o motivo pela qual elas levantam todo dia para trabalhar.. é por coisas que tem preço.. e não por coisas de valor.. e o que realmente importam para a melhoria do mundo.

    o trabalho tem que ter algum motivo de valor.. e não uma mera troca de favores e dinheiro.

  3. Alex Sandro Says:

    O texto tem coerência, observamos que muitas pessoas acabam até tendo transtornos familiares por achar que a extensão da vida está dependente do trabalho. Muitos já se divorciaram, adquiriram problemas de saúde, e no final foram obrigados a se separarem também do trabalho. O meu comentário está baseado em experiência própria, faltou muito pouco para minha esposa pedi o divórcio, comecei e não terminei dois cursos universitários e pior acabei ficando obeso por uma alimentação inadequada, o trabalho para mim era tudo, pena que não li esse texto antes.

  4. Bruno Soalheiro Says:

    Alex, muito obrigado por seu comentário! Saber que posso contribuir para a efetiva mudança na vida das pessoas é um grande prazer!

    Abraços e apareça sempre!

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Autor

Bruno Soalheiro

Psicólogo, palestrante e consultor em desenvolvimento humano.