• 10/02/2007 - por Luiz de Paiva

    Hoje vi no blog Unconventional Thinking um artigo sobre a falta de mistério no marketing hoje em dia. O Mark Stevens cita o caso da música “Hey Jude”, dos Beatles, e como houve um grande mistério em torno da pessoa à qual a música se referia. Este mistério serviu para alimentar a curiosidade dos ouvintes e estimulou ainda mais o sucesso da música (obviamente, a música também era excelente).

    Hoje em dia, onde está o mistério no marketing? Sinceramente, não é muito fácil encontrar exemplos. O blog também cita um post do Brand Autopsy, sobre um chinelo lançado pela Reef que tem um abridor de garrafas na parte inferior. O detalhe é que a propaganda do chinelo não cita o abridor, e isto gerou muita repercussão entre os clientes da marca.

    É cada vez mais difícil colocar mistério em ações marketing, já que estamos na era da informação. O conhecimento está por todos os lados. Qualquer coisa que começa a ter sucesso automaticamente se espalha pela mídia e pela internet, e milhões de pessoas começam a gerar informações sobre o fato. Nunca antes se soube tanto sobre produtos que sequer foram lançados, e quando o são, instantaneamente aparecem informações com os mínimos detalhes de tudo o que faz (e não faz).

    Entretanto, o mistério pode ser um diferencial na estratégia de marketing. O ser humano é curioso por natureza, e se você cria desperta nele uma necessidade autêntica de descobrir mais sobre seu produto ou serviço, estará ganhando exposição sem enormes investimentos em propaganda.

    Para fazer uma comparação com o caso da música “Hey Jude”, recentemente vimos no Brasil o caso da música “O Sonho” de Caetano Veloso, a qual Luana Piovani pensou que se referia a ela (“Fui eternizada..”). Posteriormente Caetano desmentiu a confusão de Luana em uma entrevista, afirmando que ela não era a musa inspiradora da música. O excesso de informação sobre o caso fez que o mistério se transformasse em piada, já que ao invés de pensar em quem era a pessoa sobre quem Caetano falava, os jornais, revistas, sites e blogs preferiram dar destaque ao “mico” de Luana.

    Isso não quer dizer que o mistério haja desaparecido. Somente passou a ser um desafio maior para os marketeiros, já que uma história mal contada acaba se virando contra o produto.

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  • 2 Comments to “O Mistério no Marketing”

    • Fábio Henrique on 02/07/2009

      Concordo com você Luiz, essas ações mercadológicas estão ficando raras hoje em dia, mesmo sem comprovadamente eficazes, deixei um comentário, com um exemplo de outra ação que envolveu mistério, no seu tópico no Via6.

      Abço,

      Fábio Henrique Araújo

    • Luiz de Paiva on 03/07/2009

      Obrigado, Fábio!

      O exemplo que você cita é muito bom (link para os leitores do blog:
      http://cinema.uol.com.br/ultnot/2009/06/04/ult4332u1112.jhtm).

      O jogo entre expectativa e realidade no marketing é bastante antigo… só as regras que estão mudando aos poucos.

      Abraços!

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