O que há de errado com Maslow?
A pirâmide de Maslow é uma teoria clássica da motivação. Para quem não a conhece, escrevi um artigo sobre o tema há um bom tempo em meu blog Stakeholder (gerenciamento de projetos).
Naquele artigo um visitante fez o seguinte comentário: “Voce acha que a Pirâmide de Maslow já está ultrapassada? Pois Maslow ja é de outra época!” . Respondi a ele que independente de quanto tempo atrás foi desenvolvida a teoria, ela ainda é válida e tem grande aplicabilidade na gestão de pessoas.
No entanto, há um ponto na teoria que deve ser discutido. Não sei se este fato está ausente ou errado, mas o fato é que ele é crucial para quem quer motivar outras pessoas usando a pirâmide de Maslow:
A motivação não precisa seguir linearmente a pirâmide. Dependendo da pessoa níveis mais altos da pirâmide podem surtir maior efeito mesmo quando níveis mais baixos não foram atingidos.
O que quero dizer com isso? Tradicionalmente, ao avaliar a pirâmide de Maslow, pensamos que para que um nível de motivação seja aplicável, o nível anterior já deve ter sido completado. Por exemplo, não adianta querer motivar alguém com um reconhecimento do presidente da empresa se seu salário não é bom. Também não haveria efeito em tentar melhorar os relacionamentos sociais de um indivíduo se ele ainda passa por dificuldades básicas de alimentação e segurança.
É aí que está um fator crítico na compreensão desta teoria de motivação: os níveis não são lineares, e dependendo do perfil da pessoa a melhor sequencia de motivação pode ser completamente diferente. Vamos a dois exemplos simples:
• Artistas que praticamente passam fome, mas são extremamente motivados por desenvolver sua arte.
• Funcionários que se emocionam ao receber um prêmio simbólico da empresa mesmo que isto não afete sua situação financeira.
Por isso, aqueles interessados na prática da motivação (ou seja, qualquer pessoa que tiver um subordinado) deve ter isto em mente ao desenvolver uma estratégia de desenvolvimento de equipes. Cada indivíduo tem suas necessidades e mentalidade. Cada um responderá de forma diferente a ações de motivação.
Aquele gestor que se dedicar a conhecer verdadeiramente sua equipe, investindo tempo no relacionamento pessoal e profissional com cada um, conseguirá levá-los a níveis de resultados muito maiores, usando uma teoria de fácil aplicação como a de Maslow. Ele só precisa entender que a solução não está em uma regra geral que se aplique a todos.
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Myself on 23/09/2009
Engraçado que estive discutindo isso com um amigo estes dias e chegamos praticamente a mesma conclusão de você, ou seja, que a teoria de suprir necessidades está correta, mas a ordem de necessidade é mutável de acordo com o tempo/pessoa. O grande problema é que os acadêmicos ainda ensinam essa teoria como “lei”., o que causa alguns erros de gestão. Um conceito simples, mas que pode fazer toda a diferença na hora de lidar com as expectativas dos funcionários.
Luiz de Paiva on 23/09/2009
Realmente alguns acadêmicos tem este defeito… seguir a teoria sem pensar na prática. Mas acredito que isto vale para qualquer teoria – a aplicação deve ser avaliada cuidadosmente.
Abraços!
Roberto Cohen on 23/09/2009
Peraí…
O modelo de Maslow, pelo que me lembro, indica que as pessoas seguirão essa ordem…
Não precisam completar toda a sua necessidade situacional, mas seguirão a ORDEM delas (definidas pelo próprio pesquisador).
Acho que divagar sobre isso, sugerindo que as pessoas podem suprir as necessidades que lhe interessam é aceitável. Mas não se trata mais da teoria de MASLOW, certo?
Até por que estamos falando de uma teoria, ou seja, um modelo. Se deturpamos ele, OK. Mas não se trata mais daquele modelo original, certo?
Ora, isso é muito bom. É um avanço. Mas modelo/teoria já não mais se adequa.
Abraços,
EL CO
Marcus Gregório Serrano on 24/09/2009
Muito interessante essa percepção. Concordo que realmente nem sempre haverá essa linearidade. No entanto, me pergunto se isso seria sustentável. Pegando o exemplo do próprio texto, durante quanto tempo manteríamos os colaboradores “motivados” por meio do reconhecimento do presidente (ou outra figura de liderança) se o salário não permitir que a pessoa concretize seus sonhos e desejos particulares. Em outras palavras, o funcionário pode sim se emocionar com o prêmio simbólico, mas, durante quanto tempo isso será o bastante para manter/incrementar sua motivação/produtividade?
Um grande abraço e parabéns pela contestação. Isso que nos empurra para frente!
Marcus Gregório Serrano, PMP
Paulo Gilberto da Silva on 24/09/2009
Esta é a grande diferença da teoria para a prática. Uma teoria aborda o comportamento do ser humano de maneira geral. Quando nós individualizamos as condutas ou necessidades, é claro, que muitas vezes ela aparenta estar distorcida. Não culpo os acadêmicos, porque se não conhecermos os princípios teóricos, como poderemos questioná-los?
Abraços!
Antonio Carlos Sarkis Issa on 26/09/2009
Não necessariamente a teoria de Maslow deve ser representada pela pirâmide. Existem em outras literaturas representações que mostram a lista de necesssidades coexistindo, havendo, entretanto, uma predominãncia de uma sobre as outras à medida em que não estejam satisfeitas.
O equívoco pode estar em fazer a leitura da teoria apenas sob uma ótica simplificada, o que é muito comum.
Luiz de Paiva on 27/09/2009
Olá Pessoal,
Obrigado pelos comentários – vou responder a todos de uma vez (e acho ótimo o debate que se gerou sobre o tema).
Temos que lembrar que, mesmo que a teoria de Maslow não seja apenas a pirâmide, esta é sua principal representação. Com exceção de cursos específicos nos quais a teoria é mais detalhada, normalmente os gestores conhecem apenas a pirâmide, em um curso de curta duração ou um MBA.
Por isso, acho importante destacar esta não-linearidade dos níveis de motivação.
O Antonio comentou com muita exatidão: “O equívoco pode estar em fazer a leitura da teoria apenas sob uma ótica simplificada, o que é muito comum.” – e foi este equívoco que tentei abordar com o artigo.
Eu acredito na validade da teoria de Maslow… só temos que saber quando e como aplicá-la.
Marcus, sobre seus comentários, ainda volto ao “cada caso é um caso”. Imagine um jovem profissional que tem família de muitos recursos (por isso o salário não é o mais crítico para ele), mas que busca crescer na organização por conta própria. Para ele, o reconhecimento do presidente será por muito tempo mais importante do que o salário… claro que este exemplo é um extremo, mas ilustra o que tentei abordar.
Abraços a todos!
Elcio Fernando on 28/09/2009
Saudações a todos,
infelizmente a maioria das empresas não propõem experimentações dos modelos teóricos. As ações em geral são realizadas sem embasamento e adaptações. Que bom seria se fosse discutido em ambiente empresarial o que está sendo discutido neste post, sobre a Teoria de Maslow, mas infelizmente há um hiato gde entre academia e realidade empresarial.
Abçs.
Luiz de Paiva on 28/09/2009
Olá Elcio,
Concordo com o hiato que você comenta… felizmente com a internet temos espaço para ampliar os debates e colocar nossa pequena contribuição para o ambiente empresarial.
Abraços!
daniel santos on 03/08/2010
de qualquer forma a sua visão sobre o tema foi bastante interessante.
e realmente
não precisa estar 100% em nivel de satisfação plena para “subir de nivel”…
mas a ordem da piramide é muito boa e pode ser aplicada de forma mais generalista numa determinada população
Danieli on 09/08/2011
Acho de extrema importância que seja discutida a teoria de Maslow em ambiente empresarial, mais precisamente em treinamentos direcionados a líderes de equipes (como gerentes e sub-gerentes). Vejo na grande maioria das empresas, que o pessoal que está na liderança não têm a base teórica necessária para enxergar a ordem das necessidades de cada subordinado. Maslow contribuiu com a teoria, na prática ela será aperfeiçoada e adequada, no sentido de até mesmo, modificada, se for preciso, dependendo das diferentes necessidades individuais de cada colaborador. Devemos muito a Maslow, pois ele nos abriu um leque de visões no respeito à individualidade.
Abraços
Flávia on 22/08/2011
Saudações,
Sou universitaria, e tambem questiono que a teoria de Maslow não necessariamente é uma regra linear, pois as nossas necessidades são mutantes perante nossos objetivos. Sendo assim, fazemos a escala prioritaria usando todas elas.