Melhorias e Risco na Cadeia de Suprimento

Publicado em 06/02/2007 por Luiz de Paiva em Melhoria, Risco



O site Manufacturing.net publicou uma reportagem sobre a necessidade das empresas se prepararem para desastres, especialmente na cadeia de suprimento, baseada em uma pesquisa da AMR Research (realizada com empresas americanas).

Os principais pontos da reportagem são:

  • o Gerenciamento de Risco na Cadeia de Suprimento (GRCS) é uma parte cada vez mais importante das operações de empresas
  • 46% das empresas pesquisadas pretendem implementar tecnologia de GRCS nos próximos 12 a 24 meses, e 54% aumentará seu orçamento de GRCS nos próximos 12 meses.
  • somente 39% das empresas possuíam algum tipo de plano de contingência pronto.
  • a criação de Planos de Continuidade dos Negócios (PCN) ainda assusta muitos empresários, mas aos poucos se está adquirindo a consciência de que são necessários.
  • os principais passos para criar um PCN são: planejar a continuidade do negócio, realizar uma comunicação eficiente com os funcionários, e proteger o investimento.
  • as técnicas de manufatura enxuta e JIT são um fator de risco da cadeia de suprimento.

Eu concordo com quase tudo o que é tratado no texto, inclusive já escrevi alguns artigos sobre riscos e contingência na cadeia de suprimento. O único ponto que não ficou muito claro foi o último, sobre JIT e manufatura enxuta (MF) aumentarem o risco da cadeia de suprimento.

Talvez os autores estivessem se referindo as empresas que não executam corretamente um processo de implantação de melhorias. O fato é que JIT e MF não são impostos pela direção da empresa, são conquistados através de mudanças na forma de trabalhar da operação.

Tomando JIT como exemplo, mesmo que o objetivo seja estoque zero, na prática muitas vezes há um estoque de segurança, que é variável conforme o fornecedor. Este estoque de segurança e as regras de operação serão diferentes entre um fornecedor ao lado de sua empresa e que trabalha com você há anos e outro que é novo e fica do outro lado do mundo.

Para implantar um JIT muda-se a forma de trabalho e são adotadas melhorias que permitam a entrega do material justo a tempo. É claro que se chega um chefe e dá a ordem de que a partir daquele momento todos os fornecedores devem operar no conceito JIT, provavelmente acontecerá um desastre. No entanto, quando o processo de melhoria é bem feito, os benefícios obtidos não se refletem em um risco maior para a empresa.

Acredito que os autores deveriam ter mais cuidado (ou ser mais claros) ao colocar seus pontos de vista, para não inserir conceitos errados nas cabeças dos leitores. O fato é que é possível implementar melhorias em sua cadeia de suprimento sem aumentar o risco de desastres. Somente há que fazê-lo bem e ter planos de contingência prontos.

Compartilhe:
  • Twitter
  • LinkedIn
  • Rec6
  • Google Bookmarks
  • Print
  • Facebook
  • del.icio.us
  • email

Artigos Relacionados:

  1. Checklist para Análise de Riscos na Cadeia de Suprimento A análise de riscos é uma atividade essencial para qualquer projeto na cadeia de suprimento. Devem-se entender os problemas que...
  2. Evitando interrupções na cadeia de suprimento Uma pesquisa recente do Aberdeen Group mostrou que uma grande empresa sofreu em média 10 interrupções da cadeia de suprimento...
  3. O Lean na Cadeia de Suprimento O princípio básico do Lean é a redução do desperdício (em todas suas formas) nos processos organizacionais. Na cadeia de...
  4. Lean e a Complexidade da Cadeia de Suprimento A implantação do conceito Lean não deve ficar limitada a somente uma parte das operações de uma organização ou de...
  5. Dificultando a Cadeia de Suprimento de seus Concorrentes Primeiro, para dificultar a cadeia de suprimento de seus concorrentes não é necessário atacá-los diretamente. Minimize seus riscos, e maximize...

Tags: , ,



Comente este post