Queda das Mulheres pelos Tolos
Publicado em 22. jul, 2010 por Paulo Botelho em Comportamento
Queda, substantivo feminino; Dicionário Houaiss: Propensão, inclinação, tendência.
“Falar do amor das mulheres pelos tolos, não é arriscar tê-las por inimigas?”
Machado de Assis (1839-1908)
Conto de Machado de Assis, “Queda das Mulheres pelos Tolos” foi publicado em 1861. Por aprofundada timidez, aos 22 anos, Machado atribuía a um tal belga Victor Henaux a autoria do conto escrito em um correto francês “L’Amour des Femmes pour les Sots”.
Queda pelos Tolos discute o que determina as mulheres na escolha de um marido ou amante. Elas os escolhem com pleno conhecimento do que fazer. Comparam, examinam, e só decidem depois de verificar neles a “qualidade” da tolice. A escrita de Machado de Assis adota a estratégia delas: é oblíqua e dissimulada, mas sabe muito bem o que quer; onde quer chegar. Machado distingue a tolice adquirida da tolice inata e conclui que os tolos mais bem-sucedidos são aqueles a quem o bom dinheiro, a boa posição social, leva à prática da mediocridade. Já o “homem de espírito”, de um lado, é dedicado, trabalhador, tímido, educado e generoso. Machado constata que “o homem de espírito é aquele que sempre enfia a mão no bolso”; quer dizer: é aquele que sempre paga todas as contas. Ele não cansa a mulher amada com sua presença insistente e nem a bombardeia com declarações de amor e bilhetes vulgares. O tolo, por outro lado, tem o sangue frio; é audacioso, conquistador, um legítimo “pegador” como se diz hoje em dia. Importuna aquela que ama para fazer-se notar. “Enche a bola dela” com elogios. Chega a ser um serviçal. É bom em correspondência amorosa, com uma coleção de textos melosos.
Não faz muito tempo, fui assistir ao filme “Chega de Saudade”, dirigido pela cineasta Laís Bodansky. A trama, ambientada durante uma noite de baile, começa ainda com a luz do dia, quando o salão abre suas portas, e termina depois da meia-noite, quando o último freqüentador vai embora. O ator principal, vive de fazer carreto com uma Kombi; namora todas as freqüentadoras, embora tenha uma fixa. Gaba-se: “Comigo o buraco é mais embaixo!” Terminado o baile, ele sai devagarinho com a Kombi até o ponto de ônibus. Lá está a fixa. Mostra, pela janela do veículo, um tablete. Nele está circunscrita a palavra Amor, dentro de um coração em vermelho. O tablete é uma singela paçoquinha embrulhada. – E ela, imediatamente, sobe na Kombi!
Mauro Rosso, pesquisador de literatura brasileira, pergunta: “Como se comporta a mulher brasileira nestes tempos de distorção de sentimentos, de uma sociedade cada vez mais de espetáculo, da imagem, da autopromoção e falsificação da vida. Estará a mulher moderna tendente a desprezar o homem de espírito e reforçar a queda pelo tolo?” – Com a palavra mulheres e homens.



Eu aprendi, do escritor e filósofo americano L. Ron Hubbard, que ética é razão. Engloba as soluções e decisões que nos trazem o maior bem para o maior número de áreas da vida.
Para pensar e agir eticamente usamos nossa mente analítica, racional.
Já a mente reativa nos impulsiona a decisões e atos ilógicos, irracionais, “fora de ética”, que acabam por nos prejudicar mais que beneficiar.
A solução ética, racional e sã, relacionada a escolha de um namorado ou marido por uma mulher, é feita pela mente analítica dela.
Quando uma mulher escolhe um “tolo” ela está agindo impulsionada pela mente reativa.
Dianética explica como a mente funciona e como podemos usar mais de nossa mente analítica. Provê também uma técnica terapêutica para eliminar a mente reativa.
Magnífica explicação, Lúcia. Ando muito interessado em aprender a Dianética. Muito grato pela sua participação.
Caro Paulo,
A tal da cientologia pode tentar explicar como a mente funciona, mas imagino que os milhares de livros publicados pelo autoentitulado “filósofo americano” (aliás, essas duas coisas juntas não soam meio contradítórias?) não alcançam a simples verdade sacada pelo velho Jorge Amado: As mulheres (ao menos as bahianas que ele conhecia) querem racionalmente se casar com Teodoro. Mas dormir com Vadinho é muito melhor…
É, você tem razão, meu caro Nelson: essa juntada me parece bem contraditória! Quanto à “sacada” do Jorge Amado, não sei; embora tenham aquelas que preferem o fagote da “Viúva Alegre” tocado pelo pudico Teodoro!