O Analfabetismo Funcional
Publicado em 18. out, 2009 por Paulo Botelho em Qualidade, Recursos Humanos

O analfabetismo funcional constitui um problema silencioso e perverso que afeta as organizações empresariais brasileiras. Não se trata de pessoas que nunca foram à escola. Elas sabem ler, escrever, contar e chegam a ocupar cargos administrativos, mas não conseguem compreender a palavra escrita. Notícia de jornal nem pensar. Computadores provocam calafrios e manuais de procedimentos são ignorados; mesmo aqueles que ensinam uma nova tarefa ou a operar uma máquina. Elas preferem ouvir a explicação da boca de um colega. No entanto, diante do chefe, fingem entender tudo, para depois sair perguntando aos outros o que e como deve ser realizada tal tarefa. E quase sempre agem por tentativa e erro. O leitor deve estar imaginando que esse problema afeta uma parcela mínima da população. Não é verdade. Estima-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. No mundo todo há entre 800 e 900 milhões de analfabetos funcionais. São pessoas com menos de 4 anos de escolarização; mas pode-se encontrar, também, pessoas com formação superior e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas. Elas não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculo para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco da vida sócio-cultural.
A queda da produtividade provocada pela deficiência em habilidades básicas resulta em perdas e danos da ordem de US$ 6 bilhões por ano no mundo inteiro. Por quê? Porque são pessoas que não entendem sinais de aviso de perigo, instruções de higiene e segurança do trabalho, orientações sobre processo produtivo, procedimentos da qualidade total e negligência dos valores da organização empresarial. Eis aí o “calcanhar de Aquiles” de tantas organizações: Declaração de Valores. Uma declaração de valores é um conjunto de crenças e princípios que orienta as atividades e operações de uma organização empresarial, independente de seu porte ou ramo de atividade. Seus dirigentes devem mostrar na prática, que os sistemas, procedimentos e atitudes são respeitados e coerentes com os valores estabelecidos em função dos clientes. Se não for assim, os resultados serão desastrosos. Quem não se lembra de manchetes de jornais mencionando “problemas inesperados” que abalaram a imagem de tantas empresas? Se não, então vejamos alguns exemplos: Exxon (indústria petrolífera e exportadora): o petroleiro Valdez derrama milhões de litros de petróleo em uma baía do Alasca, causando danos incalculáveis ao meio ambiente; Intel (fabricante de chips para computadores): um defeito no chip Pentium leva a empresa a substituir o produto no mercado; Johnson & Johnson (fábrica de produtos farmacêuticos): um número desconhecido de cápsulas de Tylenol contaminada com cianeto mata oito pessoas. A Johnson retira todos os frascos do mercado americano e leva um prejuízo de US$ 100 milhões. Os exemplos não param por aí, infelizmente! Para que o analfabetismo funcional se erradique só existe uma saída: investir em educação e treinamento para a qualidade. E qualidade é investimento. Não tem custo. O custo da qualidade é a despesa do trabalho errado, mal feito, incompleto e, portanto, sem profissionalismo.



Concordamos em gênero, número e graú, é preciso acabar com a dicotomia gerada no mercado, encobrindo sempre as manifestações objetivas do problema social do povo. Também estamos envolvidos nesta campanha de erradicação e contamos sempre com toda colaboração e cooperação de estudiosos para que possamos prosseguir este processo. Meus parabéns pela matéria publicada. Estamos ao inteiro dispor.
Como vê, Murilo, não estamos só!
Com um abraço fraterno do
paulo Botelho
Não parei para contar, mas chega a dar calafrios o número de erros de português e de frases sem sentido claro que encontro nos blogs e foruns que frequento. São um exemplo prático e real do problema…
Se você, Ronaldo, fizer uma pesquisa nas universidades brasileiras, tanto as de primeira como as de fim de linha, vai encontrar um número assustador de analfabetos funcionais. O MEC, e seus sabichões, vivem atrás de medicamentos paliativos como o ENEM, que não passa de um Emplasto Brás Cubas de que fala Machado de Assis em Memórias Póstumas. Enquanto pensa sobre a forma de criar um “medicamento sublime”, um emplasto que alivie a humanidade do tédio, da melancolia, da ignorância e, assim, tornar-se uma personalidade conhecida e invejada, Brás Cubas recebe um golpe de vento, adoece e obcecado pela idéia fixa de inventar o emplasto que levaria o seu nome, não se cuida da pneumonia e vem a morrer. O emplasto não passava de um capricho particular dele que desejava ver seu nome impresso nos jornais e nas revistas. Qualquer semelhança com instituições e pessoas vivas, para morrer ou já mortas não é mera coincidência.
Paulo Botelho
Para resolver esta situação deplorável, sugiro a metodologia de estudo de L. Ron Hubbard.
Este método ensina como estudar, identificar as barreiras ao estudo através de seus sintomas e ultrapassá-las, obtendo compreensão do que se lê ou estuda.
Para mais informações visite:
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