10/09/2010

O Analfabetismo Funcional

Publicado em 18. out, 2009 por Paulo Botelho em Qualidade, Recursos Humanos

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O analfabetismo funcional constitui um problema silencioso e perverso que afeta as organizações empresariais brasileiras. Não se trata de pessoas que nunca foram à escola. Elas sabem ler, escrever, contar e chegam a ocupar cargos administrativos, mas não conseguem compreender a palavra escrita. Notícia de jornal nem pensar. Computadores provocam calafrios e manuais de procedimentos são ignorados; mesmo aqueles que ensinam uma nova tarefa ou a operar uma máquina. Elas preferem ouvir a explicação da boca de um colega. No entanto, diante do chefe, fingem entender tudo, para depois sair perguntando aos outros o que e como deve ser realizada tal tarefa. E quase sempre agem por tentativa e erro. O leitor deve estar imaginando que esse problema afeta uma parcela mínima da população. Não é verdade. Estima-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. No mundo todo há entre 800 e 900 milhões de analfabetos funcionais. São pessoas com menos de 4 anos de escolarização; mas pode-se encontrar, também, pessoas com formação superior e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas. Elas não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculo para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco da vida sócio-cultural.

A queda da produtividade provocada pela deficiência em habilidades básicas resulta em perdas e danos da ordem de US$ 6 bilhões por ano no mundo inteiro. Por quê? Porque são pessoas que não entendem sinais de aviso de perigo, instruções de higiene e segurança do trabalho, orientações sobre processo produtivo, procedimentos da qualidade total e negligência dos valores da organização empresarial. Eis aí o “calcanhar de Aquiles” de tantas organizações: Declaração de Valores. Uma declaração de valores é um conjunto de crenças e princípios que orienta as atividades e operações de uma organização empresarial, independente de seu porte ou ramo de atividade. Seus dirigentes devem mostrar na prática, que os sistemas, procedimentos e atitudes são respeitados e coerentes com os valores estabelecidos em função dos clientes. Se não for assim, os resultados serão desastrosos. Quem não se lembra de manchetes de jornais mencionando “problemas inesperados” que abalaram a imagem de tantas empresas? Se não, então vejamos alguns exemplos: Exxon (indústria petrolífera e exportadora): o petroleiro Valdez derrama milhões de litros de petróleo em uma baía do Alasca, causando danos incalculáveis ao meio ambiente; Intel (fabricante de chips para computadores): um defeito no chip Pentium leva a empresa a substituir o produto no mercado; Johnson & Johnson (fábrica de produtos farmacêuticos): um número desconhecido de cápsulas de Tylenol contaminada com cianeto mata oito pessoas. A Johnson retira todos os frascos do mercado americano e leva um prejuízo de US$ 100 milhões. Os exemplos não param por aí, infelizmente! Para que o analfabetismo funcional se erradique só existe uma saída: investir em educação e treinamento para a qualidade. E qualidade é investimento. Não tem custo. O custo da qualidade é a despesa do trabalho errado, mal feito, incompleto e, portanto, sem profissionalismo.


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5 Respostas to “O Analfabetismo Funcional”

  1. Murilo Alvarenga 19 outubro 2009 at 10:20 #

    Concordamos em gênero, número e graú, é preciso acabar com a dicotomia gerada no mercado, encobrindo sempre as manifestações objetivas do problema social do povo. Também estamos envolvidos nesta campanha de erradicação e contamos sempre com toda colaboração e cooperação de estudiosos para que possamos prosseguir este processo. Meus parabéns pela matéria publicada. Estamos ao inteiro dispor.

  2. Paulo Botelho 12 dezembro 2009 at 10:37 #

    Como vê, Murilo, não estamos só!
    Com um abraço fraterno do

    paulo Botelho

  3. Ronaldo Costa 22 janeiro 2010 at 15:20 #

    Não parei para contar, mas chega a dar calafrios o número de erros de português e de frases sem sentido claro que encontro nos blogs e foruns que frequento. São um exemplo prático e real do problema…

  4. Paulo Botelho 22 janeiro 2010 at 20:36 #

    Se você, Ronaldo, fizer uma pesquisa nas universidades brasileiras, tanto as de primeira como as de fim de linha, vai encontrar um número assustador de analfabetos funcionais. O MEC, e seus sabichões, vivem atrás de medicamentos paliativos como o ENEM, que não passa de um Emplasto Brás Cubas de que fala Machado de Assis em Memórias Póstumas. Enquanto pensa sobre a forma de criar um “medicamento sublime”, um emplasto que alivie a humanidade do tédio, da melancolia, da ignorância e, assim, tornar-se uma personalidade conhecida e invejada, Brás Cubas recebe um golpe de vento, adoece e obcecado pela idéia fixa de inventar o emplasto que levaria o seu nome, não se cuida da pneumonia e vem a morrer. O emplasto não passava de um capricho particular dele que desejava ver seu nome impresso nos jornais e nas revistas. Qualquer semelhança com instituições e pessoas vivas, para morrer ou já mortas não é mera coincidência.

    Paulo Botelho

  5. Lucia Winther 23 julho 2010 at 20:30 #

    Para resolver esta situação deplorável, sugiro a metodologia de estudo de L. Ron Hubbard.
    Este método ensina como estudar, identificar as barreiras ao estudo através de seus sintomas e ultrapassá-las, obtendo compreensão do que se lê ou estuda.
    Para mais informações visite:
    http://www.appliedscholastics.org
    http://www.dianetica.org.br/estudo.html


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