Gerente de Projeto – Especialista ou Generalista?
Publicado em 09/03/2007 por Luiz de Paiva
Uma discussão recorrente em Gerenciamento de Projetos é se o Gerente de Projeto (GP) deve ser especialista na área do projeto pelo qual é responsável, ou se seu conhecimento deve ser mais generalista.
Os que defendem a especialização dizem que o GP precisa conhecer bem o assunto do projeto para que possa coordená-lo bem. Além da teoria de projetos, seria necessária experiência em projetos similares com envolvimento profundo no produto do projeto, e não somente no projeto em si.
Os que defendem que o GP seja generalista afirmam que o importante é que se tenha um amplo conhecimento de técnicas de Gerenciamento de Projetos e outras habilidades de negócios, incluindo comunicação, liderança, finanças, qualidade, etc. Inclusive, a especialização poderia ser um fator negativo para o GP, já que teria a tendência de influenciar excessivamente decisões relacionadas ao produto, quando deveria estar concentrado no projeto.
Minha opinião é que o GP deve ser predominantemente generalista. Um gerente que tenha desenvolvido seu conhecimento nas diversas áreas de negócios terá maior facilidade para gerenciar um projeto. Ser um especialista no produto do projeto pode tirar seu foco sobre o planejamento e controle, e querer se envolver na execução das atividades.
Não quero dizer com isso que o GP não deva saber nada sobre a área do projeto. Muito pelo contrário, existem práticas de projetos que se aplicam a setores específicos de forma diferente. Conhecer estas práticas será um diferencial para obter um projeto bem gerenciado.
Além disso, existe um fator de integração com a equipe. Se o time de projeto é predominantemente técnico, pode existir uma rejeição ao papel do GP caso este seja completamente leigo ao assunto. Todo GP deve investir tempo em conhecer os conceitos básicos do produto ao entrar em um novo projeto.
Em resumo, o Gerente de Projetos pode ser um especialista naquele tipo de projeto, e não no produto.
Um erro comum cometido pelos patrocinadores de projetos é achar que um bom especialista será um bom GP. Isto é um erro, já que as habilidades necessárias nas duas funções são completamente diferentes, e a relação entre uma atividade e outra é muito pequena. É semelhante a acreditar que qualquer bom jogador de futebol pode ser colocado como treinador.
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Engenheiro, Consultor e 

Concordo com você que um gerente de projetos que é especialista apenas no produto não pode ser um bom gerente de projetos. Mas se ele for um especialista em gerencia de projetos e no produto, acho que ele terá uma performance maior do que o gerente de projetos que não possui conhecimento sobre o produto. Não acho que ele acabaria “perdendo o foco e querendo se envolver na execução das atividades”.
Acho que conhecer o produto permite à ele adaptar as nuances da gerencia de projeto ao tipo de produto no qual o projeto consiste.
Enfim, acho que bom gerente de projetos que possui domínio sobre telecomunicações fará um melhor trabalho gerenciando um projeto de telecomunicações do que um gerente de projetos igualmente competente mas que possua conhecimentos de produtos de outras áreas não relacionadas.
Mais sobre meus argumentos no meu blog: http://duislifebox.wordpress.com/2008/04/01/e-melhor-ser-um-especialista-ou-um-generalista/
Abraços,
Toledo
Olá Toledo,
Nossa visão é muito similar, com pequenas divergências. No texto, eu afirmei que o ideal é que o GP tenha experiência com projetos da área. Como você mesmo disse, é melhor que um GP de um projeto de telecomunicações tenha passado pela vivência do mercado de telecomunicações.
Se ele é um especialista no produto, isto não é necessáriamente negativo. DESDE QUE ele tenha consciência que outras pessoas possuem a responsabilidade técnica do mesmo, e que deve respeitar estas posições.
Abraços!