O Topo Não é um Lugar Seguro, a Menos que…

Marca chamuscada

As empresas investem tempo e dinheiro para conquistar um lugar de destaque, ganhar mercado, crescer cada vez mais e auferir bons lucros. Nada mais justo. É o caminho natural de uma organização uma vez que ganhar dinheiro através da eficiência não é pecado.

As empresas bem-sucedidas promovem o enriquecimento de todos os elos da cadeia produtiva, desde a produção de matéria-prima, no início do processo, passando por todas as etapas até chegar ao consumidor, a ponta do complexo setorial. Não há como não beneficiar a todos numa economia interligada e global como a que estamos experimentando atualmente.

Entretanto, o lugar mais alto do pódio não assegura passaporte grátis nem para se manter no alto e muito menos para continuar a crescer, avançando mais um degrau rumo ao Olimpo. O professor Alan Middleton, da Universidade York, no Canadá, faz a seguinte análise sobre o tema:

Quando as empresas se tornam grandes demais, existe
o risco de se acomodarem e deixarem a criatividade de lado.

Quando perdem o tônus vital da inovação e da vigilância permanente, elas acabam negligenciado também a gestão, perdendo agilidade e abrindo espaço para a concorrência que aproveita o vacum para crescer. É o caso da líder Toyota que desde que assumiu o topo há dois anos, já perdeu quase 20% de suas vendas, deixando o Akio Toyda, neto do fundador, constrangido.

Além de ser obrigada a fazer o recall de mais de 4 milhões de unidades de seus modelos de luxo para consertar falhas no acelerador, também cometeu alguns equívocos estratégicos: apostou timidamente nos mercados que mais crescem, como a China e o Brasil. A montadora terá que fazer a lição de casa e reler os princípios deixados pelo seu fundador, Kiichiro Toyoda e pelo engenheiro Taiichi Ohno.

Até que ponto essas falhas podem empanar o brilho da montadora, ameaçando o reinado da marca? “Acredito que não”, afirmou a Revista Veja Jeffrey Liker, da Universidade de Michigan:

Os princípios da Toyota são suficientemente fortes para
evitar que dois problemas isolados contaminem toda a empresa.

Qual é a lição que esse episódio deixa para a ciência da administração? Está aberto o diálogo. Gostaria de ouvir a opinião dos leitores.

Fonte: Revista Veja, edição 2.150, ano 43, nº 5.

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4 Comentários em “O Topo Não é um Lugar Seguro, a Menos que…”

  • Não tinha conhecimento de que a Toyota estaria passando por esse tipo de problema, porém não acho estranho. A dinâmica de mercado hoje é muito maior do que a 20 ou 30 anos atrás. Para mim é como a condição apresentada pela General Motors, Ford Chrysler ao logo da história, todas as empresas, de micro nacionais a grandes multi-nacionais passam por este processo. O importante é saber reconhecer os sinais do problema para poder diagnosticar sua causa e tomar medidas preventivas ou até corretivas com a máxima brevidade e eficiência, afim de mitigar os resultados negativos ao máximo. Pessoalmente, pela própria história da Toyota, creio que encontraram soluções rapidamente para o problema, se já não encontraram.

  • Perfeito, Ricardo. – Medidas preventivas todas as empresas deveriam adotar, a fim de ganharem musculatura e eficiência para – atravessar, gerenciar e até evitar – crises.

    Também concordo com você que empresa alguma etá livre de passar por certos reveses. – O problema não é o problema em si, mas a capacidade de gestão das pessoas que estão envolvidas. E a Toyota sempre demonstrou ter grande capacidade de gestão. Eles vão se sair dessa, temos certeza, mas não sem contabilizar prejuizos consideráveis, financeiros e os recairem sobre sua marca.

    Obrigado pela sua participação. – Moacir Moura .

  • Me surpreendeu bastante a Toyota estar passando por esse tipo de problema, já que a mesma possui um sistema de gestão suportado por pilares que asseguram a excelência e se mostram impactantes no que se diz respeito a administração de todas as partes da cadeia produtiva, como o Lean Manufacturing, que graças ao engenheiro Taiichi Ohno que abriu leque desta metodologia possibilitando tal hegemonia da toyota após longos periodos de crise comparada as concorrentes que detinha de maior poder de aquisição a recursos desde a década da crise do petróleo. Concordo que assim como foi descrito a empresa terá que rever as lições de casa e os princípios que a levaram ao topo, deixando esse estado de ameaça, não deixando cair na inércia e a criatividade e inovaçã ode lado. Acredito que isso ja esteja sob controle se trantando da hitória da Toyota.

  • Felipe, o fato surpreendeu o mercado. Ninguém esperava por isso. Mas aconteceu e a empresa já contabiliza o prejuizo que teve com o imenso recall. A concorrência vai tirar partido disso e faturar alguns pontos a mais de shere de mercado.

    Claro, é apenas uma sacudida na Toyota, uma vez que ela é uma empresa capitalizada e criadora das melhores ferramentas de gestão da indústria automobilistica. Entretanto, o que ela criou, as demais montadoras já copiaram e usam com relativa eficiência. – Com a falha, com certeza aprendeu mais algumas lições: gestão permanente da qualidade e maior agilidade nas decisões, sobretudo nas que dizem respeito aos modelos vendidos que podem colocar em risco a vida do consumidor.

    Obrigado, Felipe. Volte sempre. – Moacir Moura

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