Varejo x Consumidor
Baseado em décadas de experiência, o empresário João Carlos Paes Mendonça analisa o varejo com severidade.
Ex-dono da Rede de Supermercados BomPreço e membro da família que foi controladora da rede Paes Mendonça, uma das maiores supermercadistas do País, ele tem autoridade como poucos para avaliar o setor. E seu veredicto é ousado:
“Ninguém entende de varejo”
“Nem mesmo eu que tenho varejo em DNA.” As frases são de João Carlos Paes Mendonça, um ex-barão do comércio. E ele leva isso tão a sério que não investe mais em supermercados – só em shopping centers, cujos objetivos continuam os mesmos do auto-serviço:
Servir o cliente, expertise maior do empresário.
“É muito difícil entrar em cidades ou regiões que não se conhece. Veja o exemplo do Abilio Diniz, que tentou entrar na Bahia sem sucesso, e o Michael Klein, da Casas Bahia, que acabou saindo do Rio Grande do Sul. É mais complicado entender o consumidor do que se pensa.”
O desabafo parece sincero, mas é fácil perceber, entre um deslize e outro, como ainda bate ali o coração de um supermercadista. “Hoje, o cara da classe C quer ser B, o da classe D quer ser C. E já não se sabe quem está em que camada mais.” “Se você quer descobrir em que parte da pirâmide social seu consumidor está, olhe no carrinho de supermercado dele. É uma tática infalível.”
IDADE: Não se trata de um aspecto físico, mas a própria identidade da pessoa. Nova maneira de Ser. Crianças que se comportam como jovens, adultos que agem como jovens, e idosos que gozam de uma segunda juventude. E com poder aquisitivo para consumir mais.
GÊNERO: As diferenças entre homem e mulher estão cada vez mais fracas. Comportamentos que anos atrás eram exclusivos das mulheres, em termos de consumo, hoje se interligam. O homem “METROSEXUAL” já é um comportamento natural para época em que vivemos.
ESTRUTURA FAMILIAR: A estrutura familiar tradicional que conhecemos sofreu mutações. Casais de fato e de direito, união consensual estável, morar juntos, morar em casas diferentes. Ter ou não ter filhos, legítimos ou não. O núcleo familiar pai-mãe-filhos evoluiu, quebrou paradigmas e se ajustou à nova realidade socioeconômica. Mudou também a forma/origem da receita familiar. Mudou a elação de trabalho entre profissionais e empresas, fatos que exigem reposicionamento estratégico das organizações no que se refere a produto, distribuição e ponto de venda.
RENDA: A camada de maior poder aquisitivo diversificou seu portfólio de necessidades. Também procura fazer economia onde é possível, sem sacrificar seu status, naturalmente. Não compra só luxo. O perfil do consumidor se expandiu e se ajustou à uma nova maneira viver e ser feliz. As classes de renda mais baixa, guardadas as devidas proporções, procuram imitar os ricos, comprando marcas similares, mas com glamour, naturalmente.
CONFORTO E BEM-ESTAR: Todas as classes de renda não abrem mão de facilidades, conforto e bem-estar. Usando sua capacidade de endividamento (crédito), as classes C e D buscam melhorar sua qualidade de vida, imaginando-se protagonistas do filme do consumo. Sonhar é possível. Viver melhor é possível. As empresas precisam ter a consciência desse novo consumidor.
COMODIDADE: A falta de tempo é um dos fatores principais que descrevem o modo de vida atual. A cozinha, a limpeza da casa ou fazer as compras são atividades secundárias às quais as pessoas dedicam o menor tempo possível. Qualquer solução nesse sentido é muito bem-vinda por parte do consumidor, alertam os melhores analistas em comportamento do consumidor do mundo inteiro. Tempo é recurso escasso e não renovável.
Tags: consumidor, Varejo


As casa Bahia foi afetada com a crise de U.S.A., o Bank GE deixou de lastrear as operações de financimento e a Casas Bahia nunca recorreu aos recursos do BNDES.
Olá, Uzzis, tudo bem
Claro, a Casas Bahia é o maior exemplo de sucesso no setor de varejo. – Sem contar que a família Klein (leia-se Samuel), fez uma das maiores fortunas vendendo
móveis e eletros para pobres. Por um longo tempo foi a única empresa que sabia vender para as classes C e D.
Obrigado. – Abraço – Moacir Moura